Tuesday, October 28, 2008



As duas últimas semanas de férias foram passadas a acampar no paraiso. Assentámos arraiais num dos terrenos do senhor Pereira. O dito terreno a 50 metros do mar era alcatifado com hortelã, relva e morangos silvestres. Um pouco mais à frente estava o burro Eusébio, o nosso simpático vizinho a quem nós ofereciamos uma cenoura de vez em quando. Os dias foram-se passando entre um surfezito e idas à fonte, entre refeições maravilhosas e campeonatos de avistamento de estrelas cadentes, entre caminhadas à cascata e pescarias pouco proveitosas, entre surfezitos e idas ao surf. Já estou com saudades.

Friday, October 24, 2008




Agora estáva na hora de partir para outra. Lá fomos num barco gigante com capacidade para mais de 100 carros e 2000 pessoas... mas só iam um tractor e 7 passageiros. Já era um sonho antigo fazer uma viagem num barco fantasma, mas só agora concretizado. Chegámos e ali passámos uma semana. O sitio é lindo de morrer e com alto bom aspecto para o surf, mas infelizmente, foi mesmo só aspecto. O oceano durante a nossa estadia, parecia mais a barragem do alqueva do que a própria barragem do alqueva. Foi bom assim também. Fizémos grandes caminhadas, fomos à pesca e não pescámos nada, tomámos banho nas cascátas e apanhámos intoxicações alimentares com os petiscos locais.

fotos- Já revelei os slides. De baixo para cima, este sitio é no minimo dos minimos bonito, sala e quarto a arejar no paraiso e por último, não tem nada bom aspecto para o surf não senhor.

Thursday, October 16, 2008


Então na manhã seguinte continuava de chuva e meio cacete. Dormimos até tarde, esperámos por uma aberta na chuva e lá fomos em busca de um mega pequeno almoço. O café central da vila junto à igreja chamava-se "café simpatia". Olha que simpático. Entrámos. Ainda durante o pequeno almoço, foi rebaptizado como "café ironia". As trombas da familia gerente, a vitrine dos bolos vazia e as paredes pintadas de verde garrafa escuro tipo zona de velório, não nos deixaram outra alternativa. E porque estava de chuva e o surf pouco convidativo, fomos alugar um carro. As empresas de aluguer de carros lá da zona chamavam-se "Oásis rent a car", e "tropical rent a car", muito apropriado. Optámos pela Oásis porque a tropical estáva fechada. Assim, começámos o nosso périplo romãntico pelas belezas naturais da zona. ( Modéstia à parte, eu tenho um sentido de romantismo muito apurado, e sei exactamente do que uma miúda gosta. ) Parámos em todas as baías, promontórios e estradas esquisitas em direcção ao mar à procura de novos sitios para apanhar umas.(O mestre Lacs já me tinha falado de uma esquerda que havia por ali, e que ele costumava surfar na época das inspecções itinerantes. Como nunca viu ninguém por lá, resolveu baptizar o spot com o bonito nome de "gordas". Nesta zona do globo a originalidade no nome das coisa não abunda, e o mestre parece ter seguido a batuta). À hora de almoço já estava um sol e um calor infernal, o vento acertou e o mar endireitou. Voltei para o pico à porta de casa a 200, e entrei.

frame de um filme-O passeio romãntico revelou-se extremamente proveitoso. O pico do lacs, "as gordas" é só para quem sabe, o que não é o meu caso. Esquerdas javardas em cima de calhaus em seco não faz o meu género e pelos vistos o de ninguem. surf abundante mas pouco procurado à beira do paraiso..

Friday, October 10, 2008


Já é um clássico. Cada vez que aqui chego está de chuva. Mal desembarcámos do avião, dirigimo-nos ao posto de turismo a perguntar por sitios onde ficar. Deram-nos uma fotocópia com nomes e números de telefone. Experimentámos alguns, mas só à quinta ou sexta tentativa é que tinham quartos disponiveis. Sacámos a morada e fomos. A casa era virada... em cima, do únco pico de surf ali da zona, e estava a bombar. A dona da casa era uma maniacótarada das limpezas, onde tudo é forrado a plástico transparente, tipo restaurante chinês. O chão da casa era de mármore preto polido, brilhante e a cheirar a detergente em excesso . À noite, aproveitámos um momento sem chuva para percorrer o quilometro que nos separava do restaurante mais próximo. A meio do caminho e de uma estrada deserta começou a cair o dilúvio do ano e em menos de nada estava completamente ensopado graças ao "permeável" que a minha namorada me emprestou e que dizia "FBI" nas costas. Completamente ensopado e a escorrer água tipo cascata, abriguei-me num alpendre. A poucos metros dali estava uma roullotte de cachorros quentes que resistia estóicamente à tempestade. Sem as condições minimas reunidas para nos irmos sentar à mesa de um restaurante, optámos por um cachorro no primeiro jantar das nossas férias. Quando me apróximo da roullotte estacionada na rua que parecia um rio, agora já em tronco nú, vou-me a encostar ao balcão de aluminio para beber uma cerveja, e apanho um choque eléctrico daqueles mesmo violentos. Tudo o que me passavam para a mão dava choque e fazia rir o casal dono da roullotte. Meio abatido com este primeiro dia de férias voltei para o palácio de cristal. Amanhã vão estar altas, pensei eu... e realmente estavam...altas demais!

Thursday, September 11, 2008



Finalmente de férias, a dois dias do paraiso. Caros colegas do rip, senhores cromos da buracada. Tomem conta da santa terrinha, apanhem as melhores do dia, esvaziem os pneus das escolas de surf, dropinem os carrancudos mal educados.. o costume portanto, que eu já volto. Imagens do paraiso à 5 anos atrás.

Monday, September 01, 2008


paraiso 2003

Monday, August 25, 2008


Esqueci-me aqui de celebrar, o magnifico swell de verão da semana passada, cheio de off shore e pouca gente na água. Vou agora aqui celebrar o regresso ao paraiso, marcado para 13 de setembro que vem. Já estou a tremer.

Friday, August 08, 2008


Ou sozinho, pronto.

Thursday, August 07, 2008


se calhar vou só com a namorada que também se vai muito bem.

Wednesday, August 06, 2008


As férias aproximam-se e o zé barroto diz que desta vez vem comigo. Ainda não sabemos para onde, mas sabemos que tem muitas e altas ondas, e nenhum crowd...ggrrbbbrrrluuuggfffrrsswwsss.........

Monday, July 28, 2008


Fim de semana de gala com glassezinhos brutais em água morna e boa companhia, regado com um concerto animalesco da deusa africana Rokia Traure. Se não fosse a triste visão de carros de bimbos e de surfistas de baixa qualidade, estacionados em cima das dunas e vegetação ao redor, para pouparem 50 metros à sola das chinelas da moda, eu diria que tinha sido um fim de semana cinco estrelas, mas assim sendo leva só 4. Os bimbos dos audis e os surfistas da moda levam uma bolinha preta... Aposto que lá em casa não estacionam em cima das roseiras da mamã. O que vale é que o verão também acaba e os vossos fins de semana vão começar a ser passados no cascais shopping, e entretanto fica a esperança que alguém vos ensine a distinguir um passeio de calçada de um arbusto de armérias maritimas... seus cabrões.

Monday, July 21, 2008




Eu sou daqueles terrores dos donos de cafés e restaurantes que quando ninguem na minha mesa tem uma caneta ( ou mesmo que tenha não me empresta, porque dizem que quando me ponho a desenhar já não falo com mais ninguem e torno-me numa péssima ou inexistente companhia )... bem mas estava eu a dizer que sem caneta temos que nos virar para qualquer coisa que risque e que manche seja o café ou as borras do vinho, para libertar a ressaca de surf que nos vai na alma em forma de ondas perfeitas ou de manobras que não sei fazer. Quando me junto á mesa com malta como a Mada, o Lucas, o mestre Catarino, ou o Tomás, aí é que a pobre mesa mergulha num silêncio profundo e só se ouve a toalha de pano que está por baixo da de papel a absorver todo aquele cafézinho e vinho tinto que fazem as "delicias" dos donos dos estabelecimentos. Já deixámos por esse país fora muito cutback feito de vinhaça, muitos tubos feitos de café, muitos donos de restaurante todos pórcos connosco.

Wednesday, July 09, 2008


Pelo crowd desta fóto dá para perceber que era fim de semana e que estava off shore e solzinho. Lopes! estavas em pé em cima de uma rocha? Fóto emprestadada pelo homem aranda.

Monday, July 07, 2008


saudades do inverno?... sim claro!! Foto- dia de chuva no guincho.

Friday, July 04, 2008



romaria a B. navy nos anos 90. Enquanto a maré não vazava para rebentarem umas merrecas, o team caveira partia grandes futeboladas na areia a ferver. A seguir ia tudo ao banho para o choque térmico. Hoje em dia é mais à base de passar a maré cheia debaixo do chapéu de sol a morfar como se não houvesse amanhã. Por falar em amanhã, estamos lá, a comemorar os anos do pequeno lopo (67), e pelo que eu ouvi falar, vai estar uma crowdaria daquelas... será que vai estar a dar mocada sem misericórdia?!?.

Wednesday, July 02, 2008

Fim de semana clássico e à moda antiga do team caveira no secret spot de sempre.

Wednesday, June 25, 2008





As romarias ao sul já começaram há algum tempo, mas verdade seja dita que em termos surfisticos têm sido pouco mais que fixes...estas nortadas não dão descanso. Mas nem só de surf vive o surfista, e estes fins de tarde ao som das músicas de intervenção do mestre Catarino, na companhia dos melhores amigos que se arranja por aí, e com meio metros onshore no bucho são pouco mais que inesqueciveis. principio de junho de 2008 a sul.

Tuesday, June 24, 2008





O Tiago, editor da splash mag, revista de surf dos algarves, convidou-me e proporcionou-me uma oportunidade para ilustrar um texto à maneira, do Joaquim Fonseca. Cá vai o resultado e um abraço para o Tiago pelo bom trabalho e outro para o Joaquim pelo texto mesmo fixe, do qual eu não podia estar mais de acordo. Além de ser um surfista paparuco, também sou agricultor paparuco. Lá no quintal tenho uma horta onde planto cebolas couves, tomates e o que der, e até, com a ajuda dos "locals" da santa terrinha e da Mada, construi-mos um tanque para aproveitar as águas da chuva. A verdade é que plantar uma horta e ver as coisas a crescer até se tornarem alimento, pode dar quase tanta pica como uma manhã de glass e pouco crowd... ainda hoje apanhei uma alface.

segue-se a história do joaquim, "a àrvore do surf"

Eu não devia ter mais de 5 anos e um mundo de sonhos e descobertas pela frente. Cresci até à minha adolescência sempre muito ligado ao campo já que os meus pais possuíam uma casa e meia dúzia de terrenos onde eu acabei por passar grande parte do meu tempo, não só em lazer mas também (se calhar até principalmente) a ajudar em certas tarefas sazonais como a apanha da alfarroba, da azeitona e da amêndoa. O campo não tinha para mim mistérios. Já o mar, longe que estava, sempre inspirou em mim outros sonhos e inquietudes, curiosamente e amiúde em relação com o espaço que eu mais normalmente frequentava.
Quem não conhece a experiência da vida no campo, não sabe da vida metade. Pelo menos é a minha opinião. O campo tem tudo o que é mais natural e próximo da natureza humana – o contacto com a terra e a sua capacidade de nos fornecer alimentos fazem-nos aproximar da nossa natureza mais longínqua de animal nómada e recolector. No entanto, acho que não pensava muito nisto, pelo menos conscientemente naquela altura, até porque a minha relação com as tais tarefas sazonais não era compreensivelmente a melhor, mais interessado que estava em procurar e descobrir novos espaços para as minhas brincadeiras de criança. Até aqui eu acabo de identificar mais uma possível comparação com o surf – a procura e descoberta de novos espaços para brincar tal como procuramos novas praias para surfar. Era nisto que consistia o meu fascínio pelo campo - o conceito da aventura, da descoberta e de toda uma imaginação ligada a certos espaços, como por exemplo um caminho de cabras mais bucólico ou uma árvore mais alta e difícil de trepar.
De todas estas recordações guardo uma em especial. Uma velha alfarrobeira cujo tronco principal teria tombado e ficado horizontalmente suspenso a cerca de um metro do chão, para onde eu subia, me sentava e me imaginava então num barco navegando por entre as águas e ondas revoltas de um mar de fenos, ervas altas e outros pequenos arbustos que me tocavam na ponta dos pés. Como o tal tronco balançava um bocado e fazia barulho não me era difícil imaginar que estava de facto no mar onde sucediam uma série de aventuras. Ora esta fértil imaginação que conseguia reproduzir o mar em pleno campo, e fazer de um tronco de uma árvore um enorme barco é hoje para mim qualquer coisa de fascinante.
Não foram também poucas as vezes em que de noite sonhava que o mar tinha avançado desde a costa e chegado até “à porta” minha casa (sonhos estes em que acordava de manhã e indo assomar-me à janela verificava num misto de espanto e alegria que vivia agora de frente para o mar). Tudo isto me faz questionar o porquê deste meu fascínio quase fetiche sobre a relação mar/campo que me fazia sonhar frequentemente com acontecimentos deste tipo. Será que o lado mais protector do campo, sendo um espaço mais fechado me abstrai de algum complexo de insegurança que sinto relativamente ao mar? Não faço a mínima ideia mas o que é facto é que há qualquer coisa de extremamente atraente no campo nesta relação cujo paralelo real será talvez uma experiência de surf no rio amazonas. Por outro lado, é de notar que à medida que crescemos e como em quase tudo na vida, os nossos sonhos mais abstractos se desvanecem para dar lugar a uma visão mais objectiva, concreta e redutora das coisas. No fundo, tal como acontece com a nossa visão do surf que cresce cheia de sonhos e descobertas e acaba porventura frustrada (pelo excesso de crowd, pelo pouco tempo para surfar ou pela nossa pouca habilidade dentro de água…)
Numa altura em que grande parte de nós deixa de saber apreciar a beleza intrínseca das coisas para atribuir um valor exagerado a questões mais técnicas e superficiais do surf como a performance, o equipamento, a competição entre companheiros de ondas, o tamanho das ondas que se surfa ou o próprio crowd, é altura de voltar um pouco atrás e pensar que as ondas boas e o bom surf é onde o homem quiser, até mesmo numa praia sem ondas, é tudo uma questão de atitude e imaginação.

Thursday, June 19, 2008











Enxurrada de fótos para matar saudades e comemorar os dois anos do tubus-erectus, como diz o cobilhas. Realmente dá tusa ver estas imagens deste inverno maravilhoso, à beira mar ali mesmo na santa terrinha, e faz-me lembrar que já está na hora de organizar outro campeonato, daqueles só para locals pois claro, para ver se o tempo passa mais depressa porque ondas destas agora só lá para setembro e é se tivermos sorte.Viva o Buraco!!
Todas as fotos retiradas dos winter session movies do zé fritz, desde buracada da grossa, a zé barrote momentos antes do papel do dia,passando por bottons do homem aranda a rir, e ainda do fritz a afagar o glass, acabando na ultima mega board shapada pelo lacs e desenhada pelo lucas que nem por acaso é o seu feliz proprietario.

Friday, June 06, 2008



Neste domingo 8, vai haver um encontro de pranchas clássicas na costa da caparica. É o fish frye, que vai contar com a presença dos melhores shapers e aficionados de fishs e companhia.. o mestre lacomba vai lá estar para deslumbrar os presentes com o seu artesanato, e eu vou com ele.